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II- Dente-de-leão

e se eu me soltasse

da beira da aste

e voasse

sentiria minha falta?

no vento que assopra

para longe brotar

e se tu não me seguiste

o vento desiste

e me deixa ficar

valente,

sou apenas um dente

paixão

um dente de leão

me levita

nunca aflita

me evita

partida

partilha vento

nunca ciumento

cansa de voar

eu, ainda a planar

rajadas a me levar

e você não se importar

I - Rosa

flor selvagem
porque floresceu em beira a margem?
não sabe que o rio se alarga
ó planta tola, nasceu a toa

aquela margem se separa
daquela outra que transborda
perceba que a flor se afoga

vou buscar a rosa
ver do que dela sobra

não sou rosa, sou selvagem
espero apenas malandragem
estava a beira da margem
para melhor abordagem

não me engane,
rosa falante
sei que esperava seu amante

esperei plantada
mas fui arrancada
antes eu era amada
fui até bem regada
até ser retirada
e replantada

na beira do rio?
deve-se fazer muito frio

sua preocupação eu aprecio
mas não preenche o meu vazio
fui plantada longe do plantio
para esperar o senhor tardio
que há de passar pelo rio

demora-se muito esse vadio?

fui feita de espera
florescendo ficarei mais bela
talvez ele volte na primavera

você não reconsidera?
ficará aqui a sua espera?

ficaria, mas não tem terra
a morte me espera

rosa tão bela,
poderia te por na janela
daquela que me espera

com este barco a vela
porque ainda não está com ela?

não aportaria seguro
não estou maduro
quem sabe no futuro?
mesmo assim me torturo

porque navega sem destino?
és um libertino?

me sinto pequenino
como um girino
sem mãos mas com pernas
meu destino se alterna

não tenho pernas nem mãos
fiquei muito tempo esperando em vão
porque não segue o seu coração?

porque sem mãos
só posso-lhe dizer não
me da aflição
não deixo de sentir atração
mas é em vão

não me engane,
bom vivant
sei que busca sua amante

ela está distante
se tornou arrogante
mesmo provocante
não irá avante

e se ela te espera?

ela está é uma fera

várias águas se passaram
mas nenhuma me levara
porque estava afixada
na terra que me plantaram

você acha que ela me espera?
que eu deveria voltar para ela?

suas pernas podem te levar
para qualquer lugar

vou tomar um sopapo,
será um fracasso
ainda sou fraco
mesmo abrindo meus braços

passo a passo
formará novamente um laço

não sei o que faço,
prefiro ficar neste mormaço
do que arriscar outro passo

sem mãos mas com asas
deveria voar para sua amada
não seria uma grande caminhada

não sei voar,
voei para te salvar

não voaria até ela?

tenho medo da queda

se não voar
nunca irá alcançar
se não subir
nunca irá cair,
é melhor do que desistir
e no chão se unir

você havia desistido?

não, eu esperava
mas a água foi mais brava
me arrancou da minha área
quando eu estava acostumada

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